Samsara
Fui teu primeiro amor — e sempre será assim: o primeiro que me abriu o mundo e me partiu por dentro. Em outra vida nós fugimos, lutamos contra tudo com a força que só nos cabia; éramos fogo e juramento. E então, algo que não cabe em palavras nos separou. Voltamos a nos encontrar como quem tropeça no próprio destino: bênção que fere. Amar-te é celebrar e ser punida, é carregar nos ossos uma lembrança que atravessa séculos e ainda arde. Não tenho esperança — só a certeza de que voltaremos a nos achar e a nos perder. Cada reencontro rasga de novo a pele antiga; cada despedida planta sal nas mesmas feridas. Sei que, mesmo agora, eu te lembro mais do que o mundo permitiria. Teu nome é um mapa das minhas vidas, e nele perco-me e me encontro — sempre em ambas coisas. Quero te dizer que te amei de formas que não pertencem a um único corpo; e que esse amor me fez forte e vulnerável, monstruosa e inteira. É por isso que penso em vingança e em perdão na mesma respiração: porque só quem ama assim ...