Fera ferida

Pessoalmente, não sei se quero matá-lo mais do que o amo, ou se o amo mais do que quero matá-lo. Eu o odeio porque me machucou, mas ironicamente eu só me machuquei porque fui capaz de amá-lo. A minha vingança é, se não, fruto do meu maior egoísmo: se eu não posso amá-lo, quero odiá-lo com toda a minha força. Outrora, ninguém mereceria mais tirar sua vida do que eu; é quase uma súplica, dizendo a mim mesma para apagá-lo completamente, dizendo a mim mesma não me permitir sentir, me vingando, mostrando o poder que perdi tão profundamente quando me apaixonei. É o meu ato de vilania escondendo o maior amor que já senti. É um pedido de socorro por trás da maldade. Talvez, muito provavelmente, eu nem seria capaz de feri-lo; no entanto, faço-me capaz de acreditar que seria capaz de assustá-lo, ter algum poder sobre ele, pois hoje não o tenho — eu o perdi; perdi quando escolhi me entregar ao que meu coração sentia. E, mesmo hoje, anos após — séculos que sejam — eu jamais esqueci, não somente a dor, mas o amor. Parece que nunca irá passar, que estou fadada a sentir este amargo gosto por toda a eternidade. Chorei rios por esse amor e minhas lágrimas regaram a terra, trazendo solo fértil para minhas angústias. Tão intenso é o amor que te constrói e destrói várias vezes; é tão profunda a agonia de te encontrar e te perder em todas as vidas.

Yasmin Vitória.

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