Quero te dizer

Você me viu livre,

inteira, feliz,

me viu plena,

e me quis.

Me viu como estrela

que brilha além daqui;

fez um pedido

e eu concedi.

Mas em vez de me amar

livre como nasci,

quis me moldar

em formas que eu excedi.

O que antes admirava

agora te irritava:

minha sinceridade,

minha liberdade,

minha felicidade,

minha verdade.

O que era desejo

virou raiva,

o que era cortejo

virou ira.

A impaciência de me amar

como um dia me conheceu

tornou-se irritação

por eu não ser o que você quis que eu fosse.

E assim,

eu que era companheira,

me vi prisioneira

em tua gaiola de expectativas.

Mas não sou o que queres que eu seja,

muito menos perfeita —

sou apenas eu.

Por que me feres,

me chamas de louca,

me aprisionas em papéis impossíveis?

Querias mulher obediente,

e eu não cedi.

Ainda que quisesse,

não poderia.

Porque antes de tudo,

eu amo a mim.

Sofri para ser inteira,

sofri para ser verdadeira,

e ainda que te ame

com intensidade,

não sou metade —

sou rainha,

seja boa ou ruim.

Sou errante,

sou selvagem,

sou a força da tempestade.

Sou mulher que sonha,

que enfrenta,

que é poço de complexidade.

Não sei ser pouco de mim.

E se minha intensidade

contraria a sociedade,

aceito minha singularidade.

Antes de você,

eu já tinha a mim.

Antes do início,

já conhecia mil fins.

Morri e renasci,

caí e me levantei,

me fendi e cicatrizei,

e a cada dor

eu revivi.

Se teu amor for cumplicidade,

estarei ao teu lado.

Mas se for prisão,

não quero dor.

Eu escolho a mim.

por Yasmin Vitória

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