Quase sem querer amigo
Quase sem querer, amigo
Depois de muito tempo,
você foi o primeiro.
Ainda assim, você disse
que eu era um erro.
Eu sei muito bem
o que eu “deveria”,
mas futuro do pretérito
não muda o dia a dia.
Pense consciente:
o que ficou no passado
não muda o presente.
Eu acreditei que éramos amigos,
mas depois daquele encontro
você mal falou comigo.
Quer falar de outras mulheres —
eu não ligo.
O problema é que não me interessa
quem passa a noite contigo.
Quer viver seu auge, viva.
Você já fez sua escolha.
Me descartou quando
perdi a utilidade,
perdi a novidade.
E eu realmente sinto arrependimento
de ter confiado em você
como meu amigo.
É muito narcisista da sua parte
achar que todos se apaixonam por você.
Ainda que meu coração
fosse atravessado por balas,
não seria você
o nome desse amor.
Mesmo que eu morresse de dor,
não seria você
por quem eu sangraria esperança.
E digo mais:
escolho mil vezes as balas
atravessando meu coração —
a tortura, a agonia, a destruição —
do que
suas doces,
venenosas
palavras de compaixão.
Ironicamente, você,
quase sem querer, foi
quem eu mais quis proteger,
quem eu mais quis ver vencer.
A quem eu nunca machucaria.
Quase sem querer, amigo.
Quase sem querer, confidente.
Quase sem querer, acreditei
que finalmente
não estava mais sozinha.
E aprendi
que nem toda presença
é companhia,
e nem toda gentileza
é cuidado
Autora : Yasmin Vitória
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